Imigração japonesa tem presença certa no vestibular
Cem anos se passaram desde que o Japão passou a fazer parte, definitivamente, da história do Brasil. Em 1908, a partida do navio Kasatu Maru da cidade japonesa de Kobe em direção às terras brasileiras deu início à chegada dos primeiros imigrantes. Desde então, os hábitos, costumes, culinária e a cultura do Japão fazem parte do dia-a-dia de muitas comunidades brasileiras, nas quais os imigrantes estabeleceram suas raízes. Hoje, o Brasil possui a maior comunidade japonesa fora do país de origem, cerca de 1,5 milhão de pessoas.
Fique de olho, pois o assunto é atual e há fortes chances de aparecer em diversas questões nos próximos vestibulares. Confira abaixo alguns pontos importantes:
- História: tudo começou um ano antes, em 1907. O Japão passa por problemas populacionais e econômicos. O Brasil publica então a Lei da Imigração e Colonização, que permite aos Estados definir como receber os primeiros japoneses. O primeiro foi São Paulo, que iria receber três mil imigrantes nos três anos seguintes. O objetivo era reforçar a mão-de-obra nas lavouras de café.
A primeira viagem aconteceu em 1908, com o navio Kasatu Maru transportando cerca de 790 pessoas até o porto de Santos. As famílias que vieram cumpriram uma exigência: trazer, no mínimo, três pessoas maiores de 12 anos e que estivessem em condições de trabalhar nas plantações.
Nos anos seguintes, o fluxo se intensificou e, no período entre 1925 e 1935, cerca de 140 mil imigrantes japoneses tiveram o Brasil como destino. Durante a Segunda Guerra Mundial o processo foi interrompido, sendo retomado nos anos 50. Isso ocorreu porque, no período do conflito, Brasil e Japão estavam em lados opostos (Brasil apoiou os aliados, enquanto os japoneses fizeram parte do eixo).
Entretanto, a partir da década de 60, o Japão entra em um ciclo de desenvolvimento econômico, aumentando renda e mercado de trabalho. O fluxo de imigração então diminui, encerrando completamente em meados dos anos 70.
Com o passar dos anos, os japoneses foram perdendo o contato mais direto até com o idioma, se inserindo mais na esfera social brasileira. Em 1980 surge um fenômeno inverso: filhos e netos dos primeiros imigrantes voltam para o Japão, atrás de outras perspectivas de futuro. São os chamados "dekasseguis". Atualmente, muitos deles estão voltando para o Brasil. "Antes era possível guardar dinheiro e mandar para as famílias aqui, mas agora ficou mais complicado. A concorrência é grande com imigrantes de outros países asiáticos que chegam ao Japão. Por isso, muitos brasileiros estão voltando", explica Isao Ishibashi, professor do Instituto de Cultura Japonesa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs). Cerca de 300 mil brasileiros descendentes de japoneses ainda vivem no Japão.
- Geografia: diversas colônias de japoneses estão estabelecidas em vários Estados brasileiros. Os principais são Paraná e São Paulo, especialmente devido à maior produção de café nos dois estados. Em 1912, famílias de japoneses se estabeleceram com fazendeiros no norte do Paraná. Um ano depois, outro grupo teve como destino Minas Gerais. Em São Paulo, os japoneses e seus descendentes estão no noroeste do Estado, na Capital e diversos municípios do interior. "Um outro grupo se estabeleceu no sul do Pará, focando a agricultura local", explica Ishibashi.
- Cultura: de um estranhamento total por parte dos brasileiros no início, aos poucos os hábitos e costumes dos japoneses foram inseridos na sociedade local. Um dos pontos altos é a culinária, com pratos como sushi e sashimi. Se antes comer peixe cru era impensável, hoje simboliza requinte gastronômico. O professor Ishibashi salienta também que a dieta dos imigrantes era baseada em verduras e frutas, itens que entraram com mais força no cardápio brasileiro nos anos seguintes. Do mesmo modo, as massagens orientais têm lugar cativo para os que buscam qualidade de vida. E as tatuagens? Os ideogramas japoneses e seus significados ganharam adeptos pelo País todo.
Uma outra vertente japonesa é na arte, mais especificamente a cultura pop. No cinema, heróis como o National Kid apareceram por aqui. A animação também é destaque, com desenhos animados dos mais diversos tipos. Na literatura, os mangás viraram febre entre os adolescentes. A palavra é resultado da união dos ideogramas MAN (humor) e GÁ (grafismo). Os mangás utilizam um estilo próprio de narrativa e desenho, com destaque para personagem com os rostos desproporcionais e um grafismo mais ligado à caricatura.